terça-feira, 17 de novembro de 2009

Simpósio discute segurança alimentar do campo ao prato

Conhecimento científico-acadêmico e experiência popular estarão reunidos entre 19 e 22 de novembro, no campus regional da UFMG de Montes Claros, em nome da promoção da segurança e da soberania alimentar.
O I Simpósio de Segurança Alimentar do Norte de Minas Gerais, com o tema “Sustentabilidade e inovações”, acontece no Instituto de Ciências Argárias (ICA). São esperadas aproximadamente 300 pessoas, entre professores, pesquisadores, estudantes, agricultores familiares e representantes de órgãos governamentais ligados ao setor.
Segundo a coordenadora do evento, professora Anna Christina de Almeida, há algumas especificidades que justificam uma discussão regionalizada sobre o tema segurança alimentar. Entre elas a expressiva presença da agricultura familiar no Norte de Minas e as adversidades ambientais – como o clima - que interferem, particularmente, na produção de alimentos. Aspectos que exigem foco na sustentabilidade, a exemplo do que será abordado na palestra sobre produção de hortaliças não convencionais e sua possível contribuição para a segurança alimentar.
Para o coordenador do curso de Ciências de Alimentos, Eduardo Robson Duarte, outra característica regional que preocupa e precisa de atenção especial é a carência de padrões de segurança na produção de alimentos, muitas vezes, feita artesanalmente. Ele cita produtos como carne-de-sol, conservas e doces de frutas que costumam ser fabricados sem as condições mínimas necessárias para garantir a segurança dos consumidores. “Será muito importante para os produtores locais e também para os alunos de Ciências de Alimentos esse contato com os pesquisadores que virão apresentar seus trabalhos e palestras”, avalia o professor.
Experiências bem-sucedidas de associação entre os produtores rurais, a exemplo de feiras livres, e a realidade nutricional dos agricultores familiares e de outras comunidades tradicionais do Norte de Minas, como geraizeiros e quilombolas, também estarão na pauta do simpósio. Serão discutidas, ainda, questões ambientais, a exemplo dos contaminantes provenientes da produção agrícola, e as inovações da indústria de alimentos.
A porção científico-acadêmica da programação ficará a cargo das palestras e da apresentação de trabalhos de pesquisa e extensão. Foram aceitos 20 resumos e 41 artigos ligados ao tema segurança alimentar. Todos serão publicados no Caderno de Ciências Agrárias, da UFMG, e os melhores em cada área receberão diploma de honra ao mérito. O simpósio prevê, ainda, discussões e atividades com a presença da comunidade, com mesa-redonda sobre políticas públicas voltadas para o setor, workshops e minicursos.
Desde esta segunda-feira (16/11), a inscrição de participantes passa a ser feita apenas na secretaria do mestrado do ICA (Av. Universitária, 1.000, Bairro Universitário, Montes Claros). O atendimento acontece de 8h às 12h e de 14h às 16h30.
O simpósio é uma promoção do Mestrado em Ciências Agrárias, do curso de graduação em Ciências de Alimentos, do Grupo de Estudo em Segurança Alimentar (Gesa) e do programa de extensão “Apoio a agricultores familiares no Norte de Minas Gerais em produção, higiene e saúde pública”. Mais informações pelo telefone (38) 2101-7748.

Boas práticas agrícolas na origem de tudo

Orientar os produtores para que adotem boas práticas desde o preparo do solo até o armazenamento e transporte dos produtos agrícolas também é trabalhar pela segurança alimentar. Esse é o foco de um dos trabalhos de extensão selecionados para apresentação no simpósio: “Capacitação em boas práticas agrícolas para produção de hortaliças pelos agricultores familiares do Norte de Minas”. Desde o final de 2008, o grupo de alunos do Instituto de Ciências Agrárias (ICA) responsáveis pelo projeto oferece cursos de capacitação que já beneficiaram cerca de 150 agricultores familiares de Montes Claros, São João da Lagoa, Japonvar e Lontra.
“As boas práticas agrícolas consistem em várias regras para uma produção sustentável: economicamente viável e sem prejuízo ambiental”, explica o acadêmico Rafael Jorge Almeida Rodrigues, do 8º período de Agronomia. “Os agricultores familiares aqui na região são muito carentes de informações técnicas a esse respeito”, acrescenta. Outro detalhe importante, segundo o estudante, é que essas práticas são de simples adoção.
As orientações começam pela conservação do solo. Quando oferecem a capacitação, os estudantes do ICA ensinam os agricultores a confeccionarem, por exemplo, um nível, semelhante aos utilizados por pedreiros. O material necessário pode ser encontrado na propriedade rural ou adquirido a baixo custo: mangueira, ripas de madeira, arame e fita métrica de costureira. Esse equipamento simples permite ao produtor medir a declividade do terreno a ser cultivado e constatar se há necessidade de medidas para evitar a erosão.
“Também abordamos o controle alternativo de pragas e doenças, com o uso de caldas naturais preparadas com ingredientes de fácil aquisição”, conta Rafael. As caldas são alternativas para o uso de agroquímicos. As boas práticas agrícolas repassadas aos agricultores incluem aproveitamento integral de resíduos, como restos vegetais e esterco, que serão transformados em adubos orgânicos e biofertilizantes. As orientações chegam à colheita e à pós-colheita, com o armazenamento e o transporte das hortaliças. Nestas últimas etapas, segundo Rafael, o risco de contaminação e perdas na produção é muito grande.




Juliana Paiva

Assessoria de Comunicação do Instituto de Ciências Agrárias /UFMG

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Mapa apoia venda de 210 mil toneladas de trigo em leilões

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) apoiou a comercialização de 210,9 mil toneladas de trigo, do total de 315 mil toneladas ofertadas, quinta-feira (12/11), com leilões de Prêmio de Escoamento do Produto (PEP).
A medida garantiu a venda do grão pelo preço mínimo fixado pelo governo e seu deslocamento para regiões deficitárias, beneficiando produtores rurais da Bahia, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.
Com esse leilão, realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o volume total do trigo vendido por meio dos leilões de PEP, ocorridos desde o início da safra, atinge 591 mil toneladas, do total de 812 mil toneladas ofertadas. Até o final do ano, leilões de PEP de trigo serão realizados semanalmente.
O Prêmio para Escoamento de Produtos (PEP) - O governo paga o prêmio ao comprador que garanta ao produtor o preço mínimo e que encaminhe o produto para uma região pré-determinada, de acordo com as necessidades de abastecimento do País. Com esse mecanismo, o governo pode conduzir a política complementar para abastecimento de regiões com déficit e melhorar a distribuição dos produtos agrícolas, sem a necessidade de comprá-los.


Débora Pinheiro

Mapa

Mato Grosso registra primeiro foco de ferrugem asiática

Mato Grosso registrou sexta-feira (13/11) o primeiro foco de ferrugem asiática da safra de soja 2009/2010. A doença foi constatada em zona urbana e não comercial no município de Campo Verde.
A informação consta no Sistema de Alerta Antiferrugem disponível no site da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja/MT). A ferrugem apareceu mais cedo este ano no estado. No ano passado, o primeiro caso havia sido confirmado no início de dezembro em uma Unidade de Alerta do município de Canarana, região Leste.
O coordenador do Projeto Antiferrugem na região Sul Clóvis Albuquerque informou que imediatamente após a coleta da amostra, foi feita uma varredura na área. "Estão sendo tomadas medidas de controle para eliminar o foco, como gradear o solo no local e tratamento químico com herbicida dessecante, que são procedimentos indicados pelo fato da amostra ter sido encontrada em área não comercial".
O presidente da Aprosoja/MT Glauber Silveira alerta que é hora de redobrar a atenção no monitoramento da lavoura. "A efetividade do controle da ferrugem se dá por meio da intensificação do monitoramento, aliado as recomendações técnicas de aplicações de fungicidas. Por isto é necessário estar muito atento".
O Sistema de Alerta é uma das ferramentas do projeto Antiferrugem da Aprosoja/MT que está na terceira edição. A novidade neste ano é que os supervisores de campo da Aprosoja/MT e coordenadores do projeto também estão capacitados para diagnosticar outras doenças que ocorrem nas lavouras de soja, como por exemplo, antracnose, mancha-alvo, mela, entre outras. Os produtores podem levar amostras de soja para ser analisadas nos mini-laboratórios localizados nos 18 municípios onde a associação possui núcleo.
Na safra 2008/2009 foram analisadas 3.183 amostras de folha de soja de 53 municípios, sendo que em 329 amostras foram confirmados os casos de ferrugem asiática. O número de amostras foi 59% superior em relação à safra anterior quando foram analisadas 1.881 amostras de 33 municípios sendo 302 focos confirmados com a presença da doença.
O gerente técnico da Aprosoja/MT Luiz Nery Ribas explica que o vazio sanitário, aliado ao monitoramento da lavoura são fatores que têm dado resultados no controle da doença. "Mas todo cuidado é pouco, estamos em um período de irregularidade de chuvas. Se por um lado as chuvas são essenciais para o plantio, por outro podem estimular o aparecimento da ferrugem. Por isso, precisamos redobrar o monitoramento das lavouras para evitar a proliferação da doença, já que entre os fatores que favorecem a manifestação do vírus estão à umidade e o calor", alerta.



Fonte: Ascom Aprosoja/MT -

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Agronegócio brasileiro atrai investidores do Oriente Médio

Brasília (13.11.2009) - “Os empresários do Oriente Médio estão interessados em investir no Brasil”, assegura o secretário de Política Agrícola Edilson Guimarães, chefe da missão conduzida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) à Arábia Saudita e aos Emirados Árabes Unidos, neste mês. Vinte representantes de empresas, de associações do agronegócio e de bancos brasileiros integraram a delegação e participaram de uma das maiores feiras de alimentos e bebidas do Oriente Médio, a Saudi Agro-Food, em Riad, e de seminário para investidores sauditas.
Os investidores mostraram interesse em comprar suprimentos para seus países, em que a agricultura é limitada em função de aspectos geográficos. Guimarães explica que, além do agronegócio brasileiro ser promissor, a segurança alimentar motiva o Oriente Médio a investir nas importações.
Exportações - Os dois países visitados são importadores de alimentos e podem intensificar esse comércio. De acordo com diretor do Departamento de Promoção Internacional do Agronegócio do Mapa, Eduardo Sampaio, cerca de 90% das exportações do Brasil se concentram em frango, açúcar e carne bovina e a relação comercial com o Oriente Médio pode ser uma oportunidade para diversificar a venda de produtos que integram a pauta de exportações.
A Arábia Saudita importou do Brasil, de janeiro a outubro deste ano, US$ 1,2 bilhão em produtos do agronegócio. A pauta das exportações para os sauditas é concentrada em carnes (US$ 770 milhões), complexo sucroalcooleiro (US$ 272 milhões) e complexo soja (US$ 162,3 milhões), sendo destaque a carne de frango in natura, com total de US$ 604 milhões no período.
Os Emirados Árabes, por sua vez, compraram, nos dez primeiros meses de 2009, US$ 948,2 milhões em itens agropecuários. As principais importações, assim como dos vizinhos sauditas, são o complexo sucroalcooleiro (US$ 509,3 milhões) e as carnes (US$ 335,2 milhões).

Débora Pinheiro

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Safra em São Paulo apresenta pequeno crescimento
A previsão inicial para sete produtos mostra um pequeno crescimento de 3% na área cultivada, comparativamente ao ano agrícola 2008/2009. O primeiro levantamento foi realizado no mês de setembro pelos órgãos da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo: Instituto de Economia Agrícola (IEA) e Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati). Os sete principais produtos no plantio das águas, algodão, amendoim, arroz, batata, feijão, milho e soja, totalizam uma 1,36 milhão de hectares ante 1,32 milhão de hectares, tendo como destaque o acréscimo das áreas de arroz, feijão e soja.

AMENDOIM DAS ÁGUAS - As perspectivas para a safra 2009/10 apontam redução de 13,2% na área, de 69,3 mil para 60,2 mil hectares. Segundo o estudo, uma das possíveis causas para o resultado é o fato de que áreas destinadas à produção do amendoim serão substituídas pela produção de soja, que apresentam melhores resultados até o momento.

FEIJÃO DAS ÁGUAS - Pode aumentar nessa safra, ocupando 8% a mais de área no Estado, totalizando 92,4 mil hectares. O incremento pode ser explicado, pela manutenção da demanda nos níveis do período anterior, dado que o preço da saca de 60 quilos de feijão carioquinha em São Paulo se mantém.

MILHO - A intenção de plantio da área de milho (safra de verão, incluindo o milho irrigado) é praticamente a mesma da safra anterior, 635,5 mil hectares em 2009/2010 ante 634,5 mil em 2008/2009, ou seja, 0,2% superior. A possibilidade de melhores condições no mercado internacional, dado que os preços do produto no mercado norte-americano permanecem em níveis superiores aos do ano anterior, mesmo com a perspectiva de boa safra, pode ser uma das razões que explicam a decisão do produtor nacional em manter os números da área plantada, já que as condições climáticas estão favorecendo o desenvolvimento da cultura. A área de produção irrigada de milho permaneceu com valores muitos próximos aos apresentados ao final da safra passada, ocupando 44,8 mil hectares no Estado.
SOJA - Para a safra de verão, incluindo a soja irrigada, há expectativa de um crescimento na área ocupada de 8,7% comparando-se à safra passada, o que se deve, provavelmente, aos bons preços do produto no mercado. Além de substituir parte das áreas cedidas pelo algodão e amendoim, a cultura também vem sendo utilizada nas reformas dos campos de cana-de-açúcar. A área com soja irrigada apresenta um crescimento de 20,8 % em relação ao ano passado, totalizando 11,7 mil hectares para 2009/2010.

ALGODÃO - A expectativa é de redução de 4,3% para a área de algodão, que deverá atingir 14,9 mil hectares.

O levantamento a ser realizado no campo em novembro, referente ao ano agrícola 2009/10, deverá caracterizar melhor o quadro da agricultura paulista, com as primeiras informações de produção e produtividade para as culturas.

Grupo Cultivar de Publicações

Mapa prioriza leilões para apoiar safra de trigo

A previsão do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) é realizar mais seis leilões de trigo ainda este ano. A afirmação é do diretor do Departamento de Comercialização e Abastecimento Agrícola e Pecuária (Deagro/SPA) do Mapa, José Maria dos Anjos, que participou da 25ª reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Culturas de Inverno, em Brasília.
“Quinta-feira (12), será realizado o terceiro leilão de 2009. Agora devemos organizar um por semana até o final do ano. Nesse momento, priorizamos os leilões e a equalização de preços”, informou o diretor do Deagro. Ele acrescentou que, em dois leilões, foram vendidas 380 mil toneladas de trigo.
Dados apresentados pelo Sindicato e Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) indicam que a safra do estado, estimada em 2,6 milhões toneladas, pode ser dividida em três partes proporcionais: uma de trigo de boa qualidade, um terço do produto de qualidade média e outra um pouco inferior. “Quando não for usado na panificação, o trigo inferior poderá ser destinado à ração. Essa é uma lógica do mercado”, destacou José Maria dos Anjos.



Leilane Alves,

Mapa

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Eventos avaliam impactos ambientais da produção de girassol para biocombustíveis

O Projeto de Pesquisa em Rede sobre Biodiesel da Embrapa já avaliou oleaginosas com potencial de geração de biocombustíveis, como dendê, mamona, soja e canola. Agora é a vez do girassol.
Em 24 e 25 de novembro, a equipe do projeto promove curso e dia de campo sobre avaliação de impactos ambientais da produção de girassol na obtenção de biocombustíveis no Centro Universitário do Sul de Minas – UNIS e em propriedade rural em Três Pontas/MG, respectivamente. São parceiros a Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas, MG) e a usina Biosep Biodiesel e Agronegócio.
O cultivo do girassol vem aumentando no Brasil, impulsionado principalmente pelo interesse da região Centro-Oeste e Sudeste em culturas de sucessão à safra de verão, denominada “safrinha”.
A política brasileira de incentivo à produção de biodiesel, dentre as oleaginosas disponíveis, tem tido distintos resultados de acordo com as particularidades regionais e, principalmente, pela matéria prima utilizada no processo, explica o pesquisador Cláudio Buschinelli, da Embrapa Meio Ambiente e um dos responsáveis pelo projeto.
“A opção pelo girassol está associada à ampla vantagem técnica que inclui, além do grande potencial de uso para biodiesel pelo elevado teor de óleo (38 a 47%) e facilidade de extração, outras características como: torta de excelente qualidade, possibilidade de adaptação a diferentes condições climáticas, fácil manejo e bom rendimento econômico, em termos de investimento e retorno”, diz o pesquisador.
Entretanto, questões relacionadas à importância do girassol como alimento de nobre valor nutricional, do uso extensivo de terras para a produção de energia e da sustentabilidade dessa expansão, têm sido levantadas como possíveis entraves para o setor agroenergético no médio e longo prazos.
A atenção à cultura do girassol teve início na Embrapa Meio Ambiente há aproximadamente três anos, e já permite inferência sobre o comportamento da cultura dentro do Estado de São Paulo. Na XVIII Reunião Nacional de Pesquisa de Girassol, realizada em Pelotas-RS recentemente, a pesquisadora Nilza Patrícia Ramos, da Embrapa Meio Ambiente, apresentou os resultados do último monitoramento paulista das safras 2007/08 e 2008/09.
“Esse estudo aponta para redução na área plantada”, diz Patrícia. Segundo o Levantamento de Unidades de Produção Agropecuária do Estado de São Paulo – Lupa, o girassol foi cultivado em aproximadamente 1055ha na safra 2007/08, distribuído em diferentes municípios paulistas, com destaque para as micro-regiões de Casa Branca e Reginópolis.
Em 2008/09 a área ficou em aproximadamente 1100ha, com médias de produtividade próximas a 1300kg/ha e cultivo no período de safrinha - semeadura entre fevereiro-março, após milho e soja. “O cultivo como segunda cultura ou de safrinha apresenta vantagens sob o ponto de vista de melhor uso e aproveitamento da terra, redução no consumo de insumos e geração complementar de receita”, explica a pesquisadora.
“No estado, a produção de grãos tem sido destinada basicamente ao mercado de óleo alimentício, com pequena parte para forragem e alimentação de pássaros, sem expressão como matéria-prima para a geração de biodiesel”.
Notou-se que a soja é a matéria-prima mais empregada nas usinas paulistas, seguida pelo sebo bovino. Os principais problemas enfrentados pelos produtores para a cultura do girassol são a falta de produtos para controle fitossanitário registrados, dificuldades de semeadura, em função da necessidade de melhor classificação de sementes, ataque de pássaros em áreas pequenas e dificuldades de comercialização da produção.
Já como necessidades de pesquisa foram identificadas oportunidades relacionadas ao controle de pássaros, zoneamento de risco climático para doenças, cultivo em sistemas integrados e consórcios, potencial para cultivo em áreas de reforma de cana-de-açúcar a partir do desenvolvimento tecnológico voltado para ciclo precoce, tolerância à alternaria e atenção a herbicidas com longos períodos residuais (usados em cana-de-açúcar).
O curso irá abordar a realidade e as perspectivas do cultivo de girassol no Brasil e a prática de avaliação socioambiental dessa cadeia produtiva para geração de biodiesel.
O dia de campo irá demonstrar procedimentos de avaliação e gestão ambiental de estabelecimentos rurais no sentido de oferecer aos produtores um mecanismo integrado das relações entre a atividade produtiva e a qualidade do ambiente. Para tanto, será aplicado o Sistema APOIA-NovoRural; uma ferramenta de análise de estabelecimentos rurais, que orienta as ações produtivas seguindo critérios de sustentabilidade.
Haverá visita técnica ao campo de cultivo, ao estabelecimento e início da avaliação, com análise de indicadores, entrevista ao produtor e preenchimento das planilhas eletrônicas do Sistema APOIA-NovoRural, além de debate sobre o desempenho ambiental do estabelecimento e proposição de práticas de manejo e tecnologias.


Cristina Tordin

Embrapa Meio Ambiente